LUCIANO FÉLIX

entrevista

1. Luciano, qual o seu mais novo projeto?

Eu estou dando continuidade a um projeto que venho publicando desde 2014. Chama-se Wander - Puberdade Ainda Que Tardia parte 2 de 3. Nessa nova aventura, Wander, ou melhor, o Batmorcego precisa deter a ação de uma ladra de joias que vem atacando a cidade de Ficcítia montado num cavalo e totalemente sem roupas. Ela é conhecida como Lady Godiva e apareceu justo no momento em que o Wander é diagnosticado com "puberdade retardada". Daí, já viu, né? Não viu?! Acessa aqui!

 

2. Quando foi que nasceu Wander?

Não sei se eu poderia dizer uma data precisa, mas o embrião surgiu em 1998, durante um curso de quadrinhos ministrado pelo Watson Portela. O Batmorcego não seria o bat nem morcego. Seria O Coruja, e também não seria um personagem cômico.
Paralelo a isso, o Watson me pediu para desenvolver um personagem que ele e o seu irmão, Wild, tinham criado, mas nunca concretizado. Seu nome era Morcenbix. Criei o visual e fiz um roteiro de seis páginas que em poucos dias desenhei. Como essa história nunca mais foi pra frente e a única coisa desse personagem que não me pertencia era seu nome, rebatizei de Batmorcego e lancei a história na revista Prismarte da PADA em 2005 com o título “Eu não sou B...”.
Outra coisa que mudou de nome foi o do próprio projeto. O que hoje foi lançado como “Wander - Herói Porque Sim!”, inicialmente seria “Batmorcego”. Mas, aos poucos, percebi que a história é mais do cara por trás da máscara, do nerd sem noção que força a barra pra fazer os acontecimentos justificarem sua ânsia de combater o mal sob o capuz de um morcego.
O nome Ficcítia (cidade que abriga meus personagens) veio depois, pois eu queria uma cidade... fictícia!!! Eu já pensava em inventar algo assim antes e até pensei, anos luz atrás, em "Cityvillestown". Tudo isso só pela liberdade de deixá-la do jeito que eu quisesse. Porém não tenho a intenção de criar um universo de super heróis, apenas os que surgirem naturalmente, sejam super poderosos ou não.

 
3. Você é dono de um traço muito expressivo, como foi o desenvolvimento do seu desenho ao longo dos anos?

Não é segredo pra ninguém que minha influência maior é o desenhista americano Mort Drucker, da Mad. Antes dele eu me inspirava no John Byrne e no George Perez, portanto, tenho uma formação clássica desde cedo, mas sempre gostei de humor. Quando no início dos anos 1990 eu conheci a revista Mad brasileira, foi como se eu achasse meu lugar e fui meio que me preparando pra ela nos anos seguintes, estudando o Ducker até me sentir o próprio. Em 2002 realizei o sonho de desenhar para a Mad brasileira, desenhando várias matérias, sátiras e capas. De lá pra cá tenho me deixado influenciar por outros nomes como o já falecido Ronald Searle, cuja expressividade me cativou profundamente.

 

4. Você é um cartunista muito premiado, qual dos reconhecimentos que você recebeu mais te emocionou?

Posso destacar dois, por motivos diferentes: o Festival Internacional de Humor e Quadrinho de Pernambuco por ser a minha casa e por ser o primeiro prêmio. O outro é o de Piracicaba, por ser a maior referência na área de humor gráfico. Mas todos os outros são tão importantes quanto.

 

5. É natural que artistas freelancers precisem desenvolver o "lado empreendedor", como tem isso para você?

Sou péssimo pra vender meu peixe, mas creio que posso me considerar um vencedor já que não preciso fazer o que não gosto pra pagar minhas contas. Vida de freelancer é uma montanha russa quando você não tem uma reserva em dinheiro. Atualmente tenho tentado, paralelo aos quadrinhos e ilustrações, empreender com mais dois sócios na área de lâminas para pranchas de surf com uma empresa chamada Lamina Print. Ainda estamos tentando ganhar terreno, mas, por enquanto, tem sido um investimento do pouco tempo que me sobra.

 

6. Quais sugestões você dá para artistas que estão começando?

Se começou, termine, mas, se não quiser terminar, é porque não é pra ser. Se for, foco e dedicação, pois não é fácil. Se possível, formar uma família quando, no mínimo, estiver com boa parte da carreira feita.

(12 de dezembro de 2017)

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