RAEL LIRA

entrevista

Quando foi que você decidiu ser artista?

Decidi ser artista quando estava cursando o terceiro ano do ensino médio. Sempre gostei de desenhar, cresci desenhando com meus irmãos, minha mãe é uma ótima desenhista também, mas eu tinha receio de que pudesse perder o prazer se o desenho se tornasse uma obrigação, um trabalho. No final, era ano de vestibular e estava na dúvida entre cursar Artes Plásticas ou Educação Física. Detestava as aulas de biologia e considerei que seria mais feliz se tentasse levar a vida como artista.

Qual sua formação em arte?

Sou formado em educação artística/artes plásticas pela UFPE, mas existem outros elementos dessa formação que chegaram informalmente. A constância no desenho desde a infância, as revistas em quadrinhos que li muito e ainda leio. O envolvimento com graffitti em Recife. Também fiz parte de um coletivo cristão chamado Base, que me ajudou muito a estruturar alguns pensamentos sobre produção artística.

Aonde você nasceu e cresceu? Isso tem alguma influência no teu trabalho?

Nasci em Recife, mas cresci em Olinda. Morar em Olinda, mais precisamente entre Jardim Atlântico e Rio Doce, me influenciou profundamente. Andar descalço nas ruas de barro, a relação com a praia, o linguajar dos malocas, os assaltos, os cavalos sem dono, fliperamas... tudo muito onírico. Então naturalmente essas experiências vazam para o que produzo. Gosto de contar com elas, funciona como agradecimento ou homenagem ao passado. Sentia que Olinda tinha um universo tão fantástico e instigante quanto qualquer outra região, real ou inventada. Ainda sinto. Ouvi muitas histórias, vi muitas coisas, boas e ruins, que tornaram aquele lugar tão peculiar para mim.

 

Quais clientes você já teve e qual serviço você mais curtiu fazer free lancer?

Tenho feito um trabalho com alguns parceiros gringos que certamente é o mais legal que já participei. Não é bem um freelancer mas sim um side project. A equipe é bem resumida mas muito talentosa e em breve espero poder divulgar o que temos feito, mas ainda está sob sigilo. Além disso, fiz um freelancer com a Fortiche Productions, de Paris, para um documentário em forma de animação que deve ser lançado em breve. Vi algumas cenas e está muito bonito. Também participei de projetos para Microsoft, Sony, Bioware, Ubisoft, Bethesda, Marvel, Ncsoft, MPC e Applibot.

 

Para um artista brasileiro que tem clientes fora do Brasil, quais elementos você considera importante para a decisão de se mudar, ou não, de país?

Isso é muito pessoal. O que funciona para alguns não necessariamente motiva outros. Viver no Brasil sempre foi muito positivo para mim e se as vezes pensava em morar em outro país era devido principalmente a uma curiosidade cultural. Não vivo para o trabalho.

 

Muito do teu trabalho é de pré-produção, muita coisa você nem pode publicar por conta dos contratos. Como você preparava seu portfólio com essas restrições?

Pois é, não tem muita mágica. Como passo o dia no estúdio, tento utilizar as noites para produzir algo que eu possa mostrar. Também é um tempo para explorar abordagens mais particulares, coisas que provavelmente só poderia fazer no tempo livre mesmo.

 

Quais conselhos você daria para quem esta começando e gostaria de ter uma carreira tão sólida quanto a sua?

Desenvolver o hábito de desenhar constantemente, diariamente.. Estudar os fundamentos (anatomia, perspectiva, composição, sombra e luz, desenho de observação, etc) é muito importante. São fundamentos. É difícil seguir sem eles. Construir uma bagagem visual-Conhecer o trabalho de artistas de diferentes áreas (design, cinema, plásticas, graffitti, animação, escultura, ilustração, comics) é algo que também pode influenciar de maneira positiva o trabalho de uma pessoa que está começando. Amplia os horizontes. Depois que se desenvolve uma compreensão sobre esses quesitos é possível tomar decisões sobre trabalho e áreas com mais maturidade artística.

 

Aonde você trabalha hoje? Ainda faz freelancer?
Atualmente trabalho na Volta Creations, um estúdio de concept art localizado em Ville de Quebèc, província do Quebèc, Canadá. Desde que vim para cá, tenho trabalhado pouco como freelancer. Os projetos do estúdio são bastante desafiadores e tenho tentado usar o tempo livre para tocar projetos pessoais e aproveitar minha família.

 

Qual o mais novo projeto que estais trabalho? Tem como mostrar algo?

Tenho trabalhado em frentes diferentes, arte para jogos mas também para filmes. Infelizmente com os contratos de sigilo ainda não posso falar sobre esses projetos. É sempre assim ;)

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